quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Panados de pescada preguiçosos

A preguiça é mais da "cozinheira" do que do pobre peixe! Mas aqui fica a receita (para os audazes!):




Ingredientes:

Filetes de pescada quanto bastem
Ervas aromáticas a gosto
Sumo de um limão farto
Uma pitada tímida de sal
Um punhado generoso de farinha de milho
Hortelã para envaidecer o prato

Modo de preparação:

Temperar os filetes cerca de 30 minutos antes de os panar. Eu não dispenso uma mistura de ervas aromáticas com funcho e abuso do caril e do sumo de limão. Mas o tempero fica ao gosto do freguês.

Depois é só passar os filetes pela farinha de milho, fritar e comer com deleite.

P.S.: a farinha de milho da minha mãe dura e dura... Felizmente!








quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Quando saber escrever não faz falta


Os blogues eram, ainda não há muito tempo, a principal forma do chamado "conteúdo gerado pelo utilizador" na Internet. Disseminaram-se sob os mais diversos tipos de pretextos e modelos, mas havia um problema. Era preciso saber escrever para existir virtualmente num blogue.

Na era do Twitter e do Facebook, a barreira da escrita já não existe. É só preciso alinhavar umas letras, partilhar uns links, umas fotos e está feito. Saber escrever não é mais um requisito necessário. E, tão pouco, é preciso saber ler (na perspectiva de saber interpretar um conteúdo) - é só seguir a tendência dos comentários.

Uma assustadora evolução! Deverá fazer-nos temer o pior para o futuro?


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dica de desempregada activa


Isto de enviar currículos é quase cómico! Porque eu também os recebi na minha caixa de email, quando trabalhava, e sei onde eles acabam, quase todos: irremediavelmente no lixo!

Mas é preciso persistir. Alinhavar cartas de apresentação direccionadas aos alvos, fermentar novas ideias para um currículo visualmente único... É uma absoluta perda de tempo! Porque os dias estão só para os estágios e os recém-licenciados.

Este processo faz-me recordar o período em que terminei a Universidade, quando passava dias a fio a aprimorar o meu pobre currículo (em termos de experiência profissional). Devo dizer que cheguei a um modelo que me garantiu um dos meus primeiros empregos. Entreguei-o em mãos e convenci imediatamente o empregador a contratar-me. Era realmente bonito esse currículo cujo formato básico ainda mantenho - num papel bege, com uma textura suave e a minha fotografia (algo que em 1999 era uma quase inovação!).

Ora, não é tanto o conteúdo que interessa, mas antes o pacote em que se enforma. Aqui fica a minha dica de desempregada activa!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Condenado número tal apresenta-se!


Fui hoje à minha primeira apresentação quinzenal. Um processo indolor, rápido quanto baste e ridículo que chegue!

Dizem, os manuais dos direitos e deveres dos desempregados, que estas apresentações visam confirmar que os beneficiários do subsídio não se ausentaram para o estrangeiro. Ora, na verdade, é só uma forma de relegar o desempregado para o lugar de favorecido por uma esmola. Como se tivesse que, de 15 em 15 dias, ir pedinchar o direito usufruído pelo produto do seu trabalho.

E em peregrinação quinzenal lá vai o desempregado, com a culpa (que quase sempre não tem) às costas por ter perdido o seu emprego. Como um presidiário, apresentando-se ao agente de liberdade condicional. E está tudo ordenado para o receber: há horas apropriadas para carimbar a folha que garante o sustento mínimo por mais 15 dias; placards com alertas sublinhados a amarelo e funcionários demasiado habituados ao serviço. É só mais uma prova do trágico crescente número dos sem trabalho.


 


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Almoço de desempregada


Risotto de ervas silvestres com morangos e bolinhos de feijão com farinha de milho




Ingredientes:

Para o risotto vai precisar de:

Arroz que farte
Caldo de uma galinha caseira (criada pela mãe) 
Um copo de vinho branco feito pelo pai
Um punhado de ervas colhidas delicadamente no jardim 
Alho a gosto
Um fio de azeite
Manteiga e queijo ralado que bastem
Três ou quatro morangos apanhados no canteiro 

Para os bolinhos precisará de:

Uma mão cheia de farinha de milho
Um punhado generoso de feijões tarrestre 
Ervas aromáticas bastantes
Leite que chegue

Modo de preparação:

Para os bolinhos tomar um punhado de farinha de milho generosamente moída pela mãe. Esmagar os feijões previamente cozidos, e bondosamente debulhados pela mãe, e misturar com a farinha de milho. Acrescentar as ervas aromáticas cortadas, depois de colhidas no jardim. Deitar o leite e misturar, procurando uma consistência que permita formar os bolinhos. Levar a fritar.

Para preparar o risotto, começar por refogar o alho com um fio de azeite. Quando translúcido, acrescentar o arroz e envolver bem. Adicionar o copo de vinho, misturando bem e deixando evaporar. Começar a acrescentar o caldo quente, uma concha de cada vez. Mexer sempre e deixar o líquido evaporar antes de verter nova concha de caldo. Entretanto, junte as ervas silvestres (nem todas!) apanhadas no jardim. Vá acrescentando o caldo aos poucos, até ficar no ponto. Finalmente, acaricie com a manteiga cortada aos cubos e com o queijo ralado, batendo com muito carinho. 

Depois de o risotto pronto, é preciso cortar os morangos crescidos no jardim, dispondo a preceito, na hora de servir.

Acompanha com um copo de água da torneira. Fresquinha, como os dias!


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Como desacelerar?


Depois dos tempos dos sete ofícios, de ter mil e uma tarefas a martelar na cabeça em simultâneo, é complicado abrandar o passo. Não há horários nem prazos para cumprir, mas a pressa resiste, percorrendo as veias. Corro de um lado para o outro e nem sei porquê, na ânsia de produzir algo palpável, para lá do comezinho quotidiano. E nunca há tempo para nada!

Entre os currículos enviados e os escritos não remunerados, as horas fogem e, no fim do dia, fica só o restolho da minha singela vidinha. Poderá haver algo mais para lá disso? Terá que haver algo mais?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Três dias sem Internet: é possível!


Parece impossível! Mas é verdade, sobrevivi a três dias sem me ligar à Internet. E com o computador no canto da sala, a piscar-me o olho, como uma tentação capital!

Não é assim tão difícil o alheamento do mundo virtual quando há dois filhos a puxarem-nos as saias o dia todo. Contudo, não deixa de ser uma batalha.

Agora que volto à rede, há aquela ânsia de actualização, de sorver tudo o que foram estes três dias sem mim! E não é possível apanhar o fio da meada - urge recomeçar o novelo e esquecer o branco dessas páginas. E é assustador! Porque a vida real fluiu como a água do rio, sem parar, à flor e dentro da pele. Como explicar que aquilo que se passa neste ecrã maravilhoso tenha tanta relevância?

Na Internet temos a absoluta certeza da nossa insignificância no mundo global. Mas é também na World Wide Web que nos sentimos parte da engrenagem planetária, embora apenas uma migalhinha... É, tragicamente, cada vez mais, a única forma de nos sentirmos reconhecidos e, de algum modo, existencialmente úteis.